Esta é a segunda parte do texto sobre a configuração que costumo usar no Indesign antes (e durante) de avançar para qualquer tipo de trabalho.
11. Justificação horizontal
A justificação horizontal é algo que se vai burilando ao longo dos anos. Permite-me fazer respirar ou sufocar o espaço entre palavras, entre letras, ou simplesmente, um arranjo gráfico muito particular.
Tenham em atenção que cada fonte tem o seu próprio mapa de espaços entre caracteres e palavras. É criada para funcionar opticamente e com a maior legibilidade possível. No entanto, mesmo as fontes profissionais não são perfeitas, podendo ser cada um nós um ”aperfeiçoador” de uma fonte já de si bela.
No exemplo a seguir, mostro um texto com os valores por defeito no Letter Spacing atribuídos no Indesign (0%, 0%, 0%), e após a alteração desse mesmo campo para valores negativos (-5%, –5%. –5%).
Reparem na distância mais reduzida entre os caracteres representados a encarnado.

Tal como o Letter Spacing, o Word Spacing é dinâmico, actuando à medida que os caracteres se aproximam do final da coluna.
Nos dois exemplos seguintes, o espaço entre palavras, normalmente com a medida da largura da letra ”i”, poderá ser alterado, utilizando valores acima ou abaixo dos especificados no quadro Justification.

Abaixo, já depois de alterado, é visível a dificuldade de leitura do segundo bloco de texto, depois da alteração do Word Spacing para valores negativos.

O quadro Justification encontra-se no fim da Palete Control, no sub-menu, e só se encontra activo com o texto ou a ferramenta de texto seleccionada.
12. Hifenização
Muitos dos crimes tipográficos encontram-se na hifenização usada: dentes-de-cavalo, linhas sequenciais hifenizadas, últimas palavras do parágrafo a hifenizar, etc.
É no quadro Hyphenations Settings que posso (e devo) alterar os parâmetros, tendo em atenção a largura da coluna, o corpo da letra e a fonte.

O quadro Hyphenation Setting encontra-se no fim da Palete Control, num sub-menu, e só se encontra activo com o texto ou a ferramenta de texto seleccionada.
13. Itálicos vs Obliques vs falsos itálicos
A boa escolha de um itálico é importante para enfatizar passagens do texto, definir hierarquias tipográficas, ou para alterar o Gray value do texto a paginar.
O exemplo abaixo, usado a fonte Baskerville, mostra na primeira linha, o peso Romano, na segunda o Itálico, e na terceira uma alteração artificial do Romano.
A diferença entre uma itálica e uma oblique é na criação da fonte: enquanto as itálicas são criadas de raíz (notem a diferença entre o ”a” da Romana e o Itálico), as obliques são falsas itálicas que podem ir de 3 a 20° da inclinação das Romanas originais.

Ainda dentro das obliques, considero duas correntes:
- Fonte digital recriada a partir da fonte Romana
- Inexistência de fonte oblique (por exemplo a fonte Metro), usando as inclinações artificiais que o Indesign ou o QuarkXPress permitem.
O Skew (falso itálico), encontra-se na Palete Control.
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14. Hífens, travessões, meios travessões
Uma boa clareza tipográfica é fundamental, daí que costumo usar travessões e meios travessões consoante o tipo de texto a tratar.
Tenho o hábito de usar parentesis, mas seriam muito bem substituídos pelo travessão, que não é só para usar na abertura de um discurso directo. Nunca usem o duplo hífen para simular um traço maior, como é mostrado abaixo.
Também existe o hábito de colocar um hífen entre duas datas. O mais correcto é um meio travessão; os números não parecem um comboio e respiram melhor.

Em Mac, para usar o travessão, usar Alt + hífen.
Para usar o meio travessão, usar Alt + Shift + hífen.
15. Alinhamentos tabulares
Em tabelas, e nomeadamente em relatórios de contas, tenho sempre a preocupação de fazer alinhamentos decimais, percentuais, ou por qualquer outro caracter que seja pertinente.
As tabelas em Indesign são muito interessantes e funcionais, mas para este tipo de Tipografia, uso as Tabs.
As vírgulas alinham pelas vírgulas, a percentagem alinha pela percentagem, os pontos alinham pelos pontos, etc.
A leitura vertical funciona muito melhor com alinhamentos do mesmo caracter, mesmo que descentrados dentro da largura da célula.

As Tabs encontram-se no Menu Type > Tabs.

16. Números tabulares e números de texto
Sou completamente fanático por números de texto, quando a fonte o permite. Neste caso, o Chaparral Pro tem um mapa completo para números de texto.
Durante os sécs. XIX e XX os números de texto praticamente desapareceram da Tipografia profissional. Felizmente, estão a ser recuperados, ainda que lentamente. Chamam-se assim porque são usados num fluxo de texto.
No exemplo abaixo, mostro 95% do que é comum usar-se em composição. Os números estão ali no meio do texto a ”gritar”, fazendo desviar a atenção do resto da informação apresentada.

Desta vez, o mesmo texto, usando números de texto. Reparem que os números não agridem as letras, tornando muito mais suave a leitura.
Os números de texto têm este aspecto porque imitam as hastes ascendentes ou descendentes dos caracteres. Reparem que o número ‘‘2’’ tem a mesma altura da letra ”e” Já o ‘‘5’’ desce até à haste descentende da letra ”p”.
Os números de texto, quando existentes na fonte, encontram-se no final da Palete Control, sub-menu Open Type > Proportional Oldstyle.

17. Superscript/Subscript
Os números elevados (superscript) ou rebaixados (subscript) são muitas vezes, alterações artificiais do caracter.
Na primeira linha, coloquei um subscript automático, na segunda usei o mapa de caracteres do Chaparral Pro.
Reparem no peso do ‘‘2’’ nos dois exemplos. No primeiro exemplo parece que a fonte é mais fina, já no segundo, o ‘‘2’’, apesar de reduzir de tamanho, mantém a mesma consistência que o corpo principal.
Para alterar a deslocação e tamanho do subscript do primeiro exemplo, abrir as Preferências, tab Advanced Type, e alterar os valores nos campos Size e Position.

Depois aplicar o respectivo subscript na Palete Control, onde está situado.

No caso da segunda linha do exemplo, basta digitar o número ‘‘2’’ normalmente, e ir ao final da Palete Control, sub-menu Open Type > Subscript/Inferior.

18. Alinhamentos ópticos.
Para não me repetir, já escrevi sobre este tópico aqui.
19. Baseline Grid.
Todos os documentos obedecem a uma estrutura. Dentro dessa estrutura é de muito bom tom usar (excepto impossibilidades) o Baseline Grid.
Esta função permite que o texto seja atraído para uma grelha de guias, fazendo que a leitura horizontal em várias colunas esteja perfeitamente alinhada.

Para personalizar a Baseline Grid, Preferências, tab Grids.

Para activar a Baseline Grid em texto, ir à Palete Control e activar o segundo campo.

20. Sejam imaginativos.
Se conseguiram ler isto tudo, estão de parabéns!
O último tópico é sobre vocês, que têm todas as ferramentas para fazer a mais bela Tipografia que possa existir. O resto, é paixão.
Boas regras.







{ 11 comentários… lê-los a seguir ou adicionar um }
Parabéns.
Este é um site útil e onde as explicações são absolutamente claras.
Sigam em frente.
Cumprimentos
Mário Brito
Fiquei fã deste site. Descobri aqui funcionalidades do programa que nem imaginava que existiam.
Acho que quando tiver dúvidas virei aqui pedir uma ajuda.
Cumprimentos
Cláudia Jaleco
Olá Cláudia,
Podes “aparecer” as vezes que quiseres.
Obrigado!
Obrigado, aprendi umas coisas que não sabia que não sabia.
Bom site.
Obrigado Tiago.
Parabéns. Excelentes artigos.
Aprendi mais neste texto que em muitos tutoriais.
Será um site muito útil na minha iniciação ao Indesign.
José, that’s the spirit
Abraço!
Estou a aprofundar conhecimentos neste mundo e estas dicas são fundamentais. Excelente trabalho!
Estar num curso de Design Gráfico e ter este site quando se começa a estudar o InDesign é muito bom… Já lido com Indesign há dois anos e aparece sempre um novo post que me surpreende… Eduardo, fica aqui um conselho de outro Eduardo: não pares!
Abraço!
Viva Eduardo,
Qual é a escola?
Abraço e obrigado!
Caro amigo, a 1 ano migrei do quark para o Indesign, cada vez mais sou fascinado pelo ID, e pesquisando em site como o seu que consigo alimentar-me cada vez mais dos seus recursos, continue assim! parabens!