O André Simões enviou-me recentemente um mail recentemente em que escrevia,
Quando tem de se passar o texto a outlines os Underlines e Striketrought desaparecem (…) Na semana passada precisei de enviar um PDF para a gráfica e eles pediram para enviar um PDF em alta e com o texto convertido a outlines. Eu fiquei com aquela sensação da minha vida andar para trás, ter de pôr strokes no texto onde estavam os Underlines (…).
Pois é. Não é só a vida do André a andar para trás, deve ser a minha e de muitos outros arte-finalistas que têm o mesmo problema.
Overview
Antes de mais, para que se criam outlines de texto?
Todas as Gráficas têm um RIP (Raster Image Processor) para converter os PDF’s ou Postscripts para o formato nativo do próprio RIP. No caso dos sistemas Scitex, agora CREO, os formatos de saída são .LW para traço e .CT para imagem.
Ao criar texto em outlines, a Gráfica (e já agora, nós) previne eventuais substituições de fontes ou mesmo o desaparecimento das mesmas na altura da conversão.
Tento sempre evitar o envio de textos convertidos em outline. Mas com os milhares de fontes existentes (sim o dafont.com é óptimo mas quantas fontes profissionais e funcionais tem?) os RIP’s muitas vezes não as interpretam. E nem falo sequer dos falsos itálicos ou dos bolds artificiais aplicados no QuarkXPress ou do Indesign.
Partindo do pressuposto que não tenho escolha e que tenho que converter o texto em curvas, vamos ver os prós e contras desta operação.
Prós — O texto passa a vectores, logo não tem informação da fonte, logo não dará problemas no RIP, logo não ando com ”a minha vida a andar para trás”.
Contras — Ficheiros muito mais pesados. Ao converter em outlines, todo o texto é passado a curvas, com milhares e milhares de pontos. Posso admitir que numa brochura ou num flyer a coisa ainda passé, mas num livro ou revista é muito mais complicado o RIP ”mastigar” toda aquela informação.
Outro aspecto que ainda hoje considero muito estranho: quando converto um texto em outlines no Indesign, a letra parece engrossar um pouco, dando a sensação de ter passado de Medium para Semibold, como se apresenta na imagem a seguir, apesar de no resultado final na impressão, nada se notar.

Nem todas as Gráficas têm RIP’s de última geração. Aconteceu há uns anos uma Gráfica com que trabalhei que tinha um RIP mais antigo, não conseguir converter um documento que com uma fonte chamada Metro. Depois de várias tentativas, cheguei à conclusão que o problema estava na versão Postscript do RIP.
No Indesign, ao imprimir para PDF ou Postcript, na tab Graphics, posso escolher a versão de Postscript do ficheiro. Ao escolher nível 2 (mais antigo) o problema foi resolvido.

Mas vamos finalmente ao problema do André Simões.
O André tem um documento com Underlines, que aqui simulo.

No mesmo documento, também tem Striketroughts.

Os Underlines e Striketroughts não sendo alterações artificiais do caracter, são ignorados na altura da conversão para outlines como se mostra a seguir.
Então, uma das soluções (não é de certeza a única) é exportar em PDF ou EPS para o Illustrator.
Ao exportar como EPS, o texto continua editável, mas o Illustrator filetes, simulando o Striketrought (e o Underline) em cada linha.

Esta é apenas uma técnica que considero rápida e eficaz. Neste caso usei parte do pacote Adobe para me resolver o problema. Os programas não são herméticos e felizmente, ”falam” uns com os outros, o que me resolveu o problema.
A partir daqui, os procedimentos habituais: exportar em PDF, ou gravar em .AI e colocar de novo o texto com os Underlines como imagem no Indesign.
Bons problemas.






