O título do post prende-se apenas naquilo que considero que é de evitar e incentivar em Tipografia. Longe de ser um ortodoxo tipográfico, prefiro belíssimas paisagens tipográficas do que cidades caóticas de texto.
1. Número de famílias de fontes usadas
Menos é sempre mais. Isso também se aplica ao número de famílias de fontes a usar num texto.
Um texto com Chaparral, subtítulos a Helvetica, títulos a Cooperplate e legendas em Adobe Caslon Italic?
É melhor usar os vários pesos da família (italic, narrow, condensed, heavy, etc.) complementando com versaletes e versais, e talvez uma pitada de outra família para o contraste ser ainda melhor.
2. Certifique-se que a fonte escolhida não comunica aquilo que não quer
O nome de uma banda de Heavy Metal em Monotype Corsiva? Ou uma extensa carta em Braggadocio? E o “compre já” numa fonte a redondo, sem nenhum destaque? Estão a ver a ideia?

3. Utilize fontes que contemplem diacríticos na sua língua nativa
Ao escolher uma fonte, testem sempre 2 coisas: a sua conversão em curvas e se existe mapa de diacríticos.
Ninguém gosta de repaginar um trabalho ou mudar de fonte depois de aprovada pelo cliente porque lhe falta o “c” cedilhado…

4. Aquando de alinhamentos, e se possível, justifique à esquerda, sem hifenização
Compreendo que se use texto em bandeira à esquerda com hifenização para ganhar umas linhas. Mas o que se pode ganhar em espaço destrói invariavelmente uma boa composição. Mas terá mesmo de ser assim?

5. Utilize um alinhamento vertical consistente
Agarre numa revista ou num jornal e encoste a cabeça ao corte do documento, olhando para dentro, e observe o texto alinhado ao longo das várias colunas. Está tudo alinhado? Óptimo!
Um alinhamento vertical inconsistente faz perder a percepção de continuidade, “fecha-nos” pontes de transição entre colunas de texto e sim, é má tipografia.
Sempre que possível, use grelhas tipográficas, juntamente com o Baseline Grid, no Indesign.

6. Evite itálicos, bolds e versaletes automáticos
Felizmente o Indesign já não permite tal coisa, mas o QuarkXPress ainda tem a opção para “bold” e “itálico”.
A função é duplamente errada: a) não vai buscar o bold puro da fonte, apenas coloca uma fonte redonda com “carregado”; b) poderão ter grandes problemas nos RIP’s, especialmente em versões Postscript 2 ou anteriores.
Admito que se possa usar, excepcionalmente, quando não existe bold ou itálico da fonte usada. Mas usem com moderação e por conta e risco. O Indesign e o QuarkXPress não são o Word.

7. Aprenda a usar a hifenização e justificação de texto
Tanto o QuarkXPress como o Indesign contém poderosas ferramentas de justificação e hifenização. Não as descure e explore-as até conseguir o resultado que pretende.

8 — Utilize os sinais correctos para cada situação
Duplos-hífens simulando um travessão é para as máquinas de escrever.
O hífen, tirando situações excepcionais deve ser usado apenas no modo automático, ou seja, quando o texto hifeniza.
Para separar números de telefone, datas, etc., aconselho o meio travessão (Alt + hífen), no Indesign.
Quanto às Blind Quotes, são de todo a evitar. Se a fonte a usar não o permitir (mais uma vez a escolha da fonte conta muito), escolham outra. O resultado final é nitidamente melhor.
9. A barra de espaços não é uma ferramenta de design
12 espaços de barra para abrir um parágrafo? Tecla tab para a mesma função?
O Indesign tem as ferramentas certas: um ou meio quadratim (abertura de parágrafo equivalente ao corpo usado, em pontos), ou o First Line Left Indent (à direita)
10. Não escolha duas fontes iguais
Não preciso de me alongar muito sobre este ponto. A ideia é contraste e não complemento.

11. Evite imitações
Não escolha uma fonte por ser “nova” e “cool”. Além de ter de funcionar, muitas vezes é um clone de uma fonte profissional e testada.
Recordo-me de uma vez usar uma fonte chamada, salvo erro, Olympia. Era uma cópia fiel do Helvetica em que a diferença residia no ponto final. Um era redondo, o outro era quadrado. Ah, e deu erro a criar o Postscript!

12. Não altere a forma de leitura convencional
Lá por os Árabes e Hebreus lerem da direita para a esquerda e os Chineses de cima para baixo, não há razão para fazermos o mesmo. A evitar, de todo.

Por fim, algumas anotações finais.
- Para uma melhor legibilidade, escolha fontes clássicas e já testadas
- Usar texto em caixa alta atrasa a leitura
- Escolha um corpo adequado à leitura
- Evite usar vários corpos e pesos ao mesmo tempo
- Evite extralight ou Black
- Use pesos redondos. Evite narrows ou extended
- Para corpo de texto, usar um espaço entre palavras para uma boa leitura
- Use uma largura de texto apropriada
- Use uma entrelinha em que a leitura seja sequencial
- Enfatize o texto com bom senso
- Mantenha a integridade do texto. Evite condensados ou expandidos exagerados
- Quanto trabalhar com cor, assegure-se da sua legibilidade e contraste
Boas práticas.









