Boas práticas e crimes tipográficos

por edraant em 08/07/2009

em Tipografia

O título do post prende-se ape­nas naquilo que con­si­dero que é de evi­tar e incen­ti­var em Tipo­gra­fia. Longe de ser um orto­doxo tipo­grá­fico, pre­firo belís­si­mas pai­sa­gens tipo­grá­fi­cas do que cida­des caó­ti­cas de texto.

1. Número de famí­lias de fon­tes usadas

Menos é sem­pre mais. Isso tam­bém se aplica ao número de famí­lias de fon­tes a usar num texto.

Um texto com Cha­par­ral, sub­tí­tu­los a Hel­ve­tica, títu­los a Coo­per­plate e legen­das em Adobe Cas­lon Italic?

É melhor usar os vários pesos da famí­lia (ita­lic, nar­row, con­den­sed, heavy, etc.) com­ple­men­tando com ver­sa­le­tes e ver­sais, e tal­vez uma pitada de outra famí­lia para o con­traste ser ainda melhor.

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2. Certifique-se que a fonte esco­lhida não comu­nica aquilo que não quer

O nome de uma banda de Heavy Metal em Monotype Cor­siva? Ou uma extensa carta em Brag­ga­do­cio? E o “com­pre já” numa fonte a redondo, sem nenhum des­ta­que? Estão a ver a ideia?

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3. Uti­lize fon­tes que con­tem­plem dia­crí­ti­cos na sua lín­gua nativa

Ao esco­lher uma fonte, tes­tem sem­pre 2 coi­sas: a sua con­ver­são em cur­vas e se existe mapa de diacríticos.

Nin­guém gosta de repa­gi­nar um tra­ba­lho ou mudar de fonte depois de apro­vada pelo cli­ente por­que lhe falta o “c” cedilhado…

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4. Aquando de ali­nha­men­tos, e se pos­sí­vel, jus­ti­fi­que à esquerda, sem hifenização

Com­pre­endo que se use texto em ban­deira à esquerda com hife­ni­za­ção para ganhar umas linhas. Mas o que se pode ganhar em espaço des­trói inva­ri­a­vel­mente uma boa com­po­si­ção. Mas terá mesmo de ser assim?

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5. Uti­lize um ali­nha­mento ver­ti­cal consistente

Agarre numa revista ou num jor­nal e encoste a cabeça ao corte do docu­mento, olhando para den­tro, e observe o texto ali­nhado ao longo das várias colu­nas. Está tudo ali­nhado? Óptimo!

Um ali­nha­mento ver­ti­cal incon­sis­tente faz per­der a per­cep­ção de con­ti­nui­dade, “fecha-nos” pon­tes de tran­si­ção entre colu­nas de texto e sim, é má tipografia.

Sem­pre que pos­sí­vel, use gre­lhas tipo­grá­fi­cas, jun­ta­mente com o Base­line Grid, no Inde­sign.

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6. Evite itá­li­cos, bolds e ver­sa­le­tes automáticos

Feliz­mente o Inde­sign já não per­mite tal coisa, mas o QuarkX­Press ainda tem a opção para “bold” e “itálico”.

A fun­ção é dupla­mente errada: a) não vai bus­car o bold puro da fonte, ape­nas coloca uma fonte redonda com “car­re­gado”; b) pode­rão ter gran­des pro­ble­mas nos RIP’s, espe­ci­al­mente em ver­sões Posts­cript 2 ou anteriores.

Admito que se possa usar, excep­ci­o­nal­mente, quando não existe bold ou itá­lico da fonte usada. Mas usem com mode­ra­ção e por conta e risco. O Inde­sign e o QuarkX­Press não são o Word.

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7. Aprenda a usar a hife­ni­za­ção e jus­ti­fi­ca­ção de texto

Tanto o QuarkX­Press como o Inde­sign con­tém pode­ro­sas fer­ra­men­tas de jus­ti­fi­ca­ção e hife­ni­za­ção. Não as des­cure e explore-as até con­se­guir o resul­tado que pretende.

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8 — Uti­lize os sinais cor­rec­tos para cada situação

Duplos-hífens simu­lando um tra­ves­são é para as máqui­nas de escrever.

O hífen, tirando situ­a­ções excep­ci­o­nais deve ser usado ape­nas no modo auto­má­tico, ou seja, quando o texto hifeniza.

Para sepa­rar núme­ros de tele­fone, datas, etc., acon­se­lho o meio tra­ves­são (Alt + hífen), no Indesign.

Quanto às Blind Quo­tes, são de todo a evi­tar. Se a fonte a usar não o per­mi­tir (mais uma vez a esco­lha da fonte conta muito), esco­lham outra. O resul­tado final é niti­da­mente melhor.

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9. A barra de espa­ços não é uma fer­ra­menta de design

12 espa­ços de barra para abrir um pará­grafo? Tecla tab para a mesma função?

O Inde­sign tem as fer­ra­men­tas cer­tas: um ou meio qua­dra­tim (aber­tura de pará­grafo equi­va­lente ao corpo usado, em pon­tos), ou o First Line Left Indent (à direita)

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10. Não esco­lha duas fon­tes iguais

Não pre­ciso de me alon­gar muito sobre este ponto. A ideia é con­traste e não complemento.

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11. Evite imitações

Não esco­lha uma fonte por ser “nova” e “cool”. Além de ter de fun­ci­o­nar, mui­tas vezes é um clone de uma fonte pro­fis­si­o­nal e testada.

Recordo-me de uma vez usar uma fonte cha­mada, salvo erro, Olym­pia. Era uma cópia fiel do Hel­ve­tica em que a dife­rença resi­dia no ponto final. Um era redondo, o outro era qua­drado. Ah, e deu erro a criar o Postscript!

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12. Não altere a forma de lei­tura convencional

Lá por os Árabes e Hebreus lerem da direita para a esquerda e os Chi­ne­ses de cima para baixo, não há razão para fazer­mos o mesmo. A evi­tar, de todo.

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Por fim, algu­mas ano­ta­ções finais.

  • Para uma melhor legi­bi­li­dade, esco­lha fon­tes clás­si­cas e já testadas
  • Usar texto em caixa alta atrasa a leitura
  • Esco­lha um corpo ade­quado à leitura
  • Evite usar vários cor­pos e pesos ao mesmo tempo
  • Evite extra­light ou Black
  • Use pesos redon­dos. Evite nar­rows ou exten­ded
  • Para corpo de texto, usar um espaço entre pala­vras para uma boa leitura
  • Use uma lar­gura de texto apropriada
  • Use uma entre­li­nha em que a lei­tura seja sequencial
  • Enfa­tize o texto com bom senso
  • Man­te­nha a inte­gri­dade do texto. Evite con­den­sa­dos ou expan­di­dos exagerados
  • Quanto tra­ba­lhar com cor, assegure-se da sua legi­bi­li­dade e contraste

Boas prá­ti­cas.

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