O cliente. Essa entidade abstracta que, segundo os manuais, tem sempre razão. Quem trabalha nesta área sabe bem as horas, dias ou semanas (ah, o tempo!) desperdiçadas em refazer trabalhos em que o cliente envia ou constrói da forma errada. Nunca há tempo para fazer bem mas há tempo para refazer o que está mal.
O problema está identificado: o cliente muitas vezes não tem know-how (nem tem que ter) de como gerar um bom fluxo gráfico. Ao longo da minha vida profissional já tive excelentes exemplos de clientes que se sentaram ao meu lado um dia inteiro acompanhando o fecho de um trabalho, demonstrando-lhe os problemas que me surgiam. A partir daí, tive muito menos problemas com os trabalhos do cliente. O seu interesse em que as coisas também funcionassem foi fundamental. Alguns ainda hoje me telefonam com qualquer dúvida que tenham na mente. E estes clientes não são, nem nunca foram gráficos.
Outros não querem saber disso, e sou o primeiro a afirmar que estão no direito deles. Afinal, cliente é cliente! Pretendo é escrever sobre os primeiros: e se oferecesse um curso ao(s) seu(s) cliente(s)?
1. MOSTRE QUAIS OS PROGRAMAS PRÓPRIOS PARA CADA FUNÇÃO
Se o seu cliente pagina no Photoshop (é verdade, já vi tal coisa) ou no Freehand, mostre-lhe que cada um dos programas tem o seu core. Não lhe ensine o programa que não vai adiantar nada. Evidencie as potencialidades de cada aplicação.
2. ESCLAREÇA A DIFERENÇA ENTRE UM .GIF E UM .TIF
De certeza que já recebeu imagens no formato errado. Faça um overview pelos vários formatos mais comuns, sem esqueçer o .PDF, .EPS, .AI, e .JPG. Fale nas limitações e vantagens de cada um. A boa prática dele é tempo poupado para si, e já agora, para ele também.
3. FALE-LHE DE RESOLUÇÕES
Se já recebeu uma imagem de um tamanho de um selo para ampliar para A4, que o cliente tirou da net, sabe do que estou a falar. Mostre que quanto maior a ampliação, menor a qualidade da imagem. Reforçe com exemplos impressos. Mostre-lhe a diferença de qualidade entre o monitor e o papel. Configure-lhe a máquina fotográfica digital, se ele a usar para material gráfico.
4. FONTES
Uma das grandes dores de cabeça do Prepress. Mostre-lhe que existem 3 tipos de fontes. Informe-se se ele tem mac ou pc. Ensine-o a instalar correctamente fontes e a como resolver problemas básicos (duplicações de fontes, fabricantes diferentes, etc.).
5. O MAIS FÁCIL NÃO É NECESSARIAMENTE O MELHOR
O Copy/Paste funciona bem no Word e na impressora lá de casa. Aqui estamos a falar de Agências de Publicidade, Gráficas, Arte-finalistas e Designers freelance.
6. TEORIA GRÁFICA
Ensine-lhe o que é o Bleed e uma marca de corte e de dobra. Um RGB, um CMYK ou um Pantone. Nada de muito complicado mas fundamental. Mostre-lhe exemplos impressos.
7. LIMPAR O LIXO
Dê-lhe as dicas necessárias para fazer a limpeza do documento: cores não aplicadas, objectos no pasteboard, caixas vazias, estilos não usados.
8. ACOMPANHE O TRABALHO DO CLIENTE À DISTÂNCIA
Forneça-lhe tudo aqui que o pode libertar de dores de cabeça: crie um Preflight (ou vários) para o cliente usar. Envie-lhe os Presets correctos das suas impressoras. Aliás, mande todos os Presets que se lembrar (PDF, Flattener, Print, etc.)!
9. DÊ-LHE ALTERNATIVAS
Descanse-o quanto à forma rígida de fechar um trabalho. Mostre-lhe o fluxo PS vs PDF, e as vantagens e desvantagens de cada um. E dê um “show de bola” com o Distiller.
10. LINKS
Esclareça-o que normalmente as imagens têm um link para o disco. Não alterar o nome, não mudar o nome da pasta ou a sua localização. Se ele o fizer, mostre-lhe como se resolve na Palete Links.
11. PACKAGING
Mesmo que o seu cliente seja a pessoa mais desorganizada deste mundo, mostre-lhe como reunir toda a informação existente num documento. Use e abuse da função Package.
12. PLUG-INS
O seu cliente gosta de “artilhar” o InDesign com Plug-ins? Previna-o dos perigos que possam ocorrer, se você não tiver esse plug-in instalado no seu computador.
13. OVERPRINT PREVIEW E SEPARATIONS PREVIEW
O seu cliente não precisa de saber o que é um Trapping, um Overprint ou um Rich Black. Só tem de saber os resultados práticos da má utilização dessas operações. Mostre-lhe exemplos no ecrã e de certeza que encontrará em papel alguns (maus) exemplos do que ele não deve fazer.
14. CHECKLIST
Se ele estiver para aí virado, faça-lhe uma checklist para seu próprio (dele) controlo. Coloque lá tudo o que se lembre.
15. ACROBAT PRO
O Acrobat Pro é um mundo imenso na verificação de PDF’s para a Gráfica. Mostre-lhe os segredos lá escondidos e se tiver paciência (e saber) crie-lhe também uns Preflights em Acrobat.
16. LUNCH TIME
Depois disto, pague-lhe um grande almoço. Afinal, ele é seu cliente








{ 3 comentários… lê-los a seguir ou adicionar um }
Excelente abordagem. Subscrevo todos os pontos.
Abraço,
HM.
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