InDesign CS5: uma versão para documentos interactivos?

por edraant em 01/05/2010

em InDesign CS5

Eu nem sei bem como come­çar este post. Tinha grande expec­ta­ti­vas rela­ti­va­mente a esta suite. Mas depois de ter estado de volta da última ver­são do InDe­sign, o que fica é um certo desen­canto por veri­fi­car que a Adobe “ape­nas” apos­tou na inte­rac­ti­vi­dade, dei­xando (mais uma vez) para trás fea­tu­res inques­ti­o­ná­veis que parece terem ficado cristalizadas.

Ponto pré­vio: acho as novas fea­tu­res do IDCS5 exce­len­tes, abrindo uma via que estava mori­bunda e que agora “liga” o InDe­sign a outras apli­ca­ções de forma mais efi­caz, nome­a­da­mente o Flash. Mas não resisto a per­gun­tar: onde estão os melho­ra­men­tos ao nível de docu­men­tos lon­gos ou, numa escala mais pequena, de layout? A Adobe não tem mais nenhum pro­grama nesta área diri­gido a pagi­na­do­res, e a alter­na­tiva (o QuarkX­Press) está a anos-luz a nível de qua­li­dade e work­flow. O que sig­ni­fica que algu­mas das for­mas tor­tu­o­sas de tra­ba­lhar con­ti­nu­a­rão nesta ver­são do IDCS5.

Uma outra ques­tão surge: com tanta inte­rac­ti­vi­dade no CS5, haverá mer­cado para tal? Não há mais nenhum pro­grama que o faça? Vamos come­çar de repente a criar e-books e PDF’s inte­rac­ti­vos a toda a hora? O que é que digo ao cli­ente? “des­culpe, mas para fazer um livro com índi­ces, foot­no­tes limi­ta­das e toc’s vai demo­rar bas­tante, mas se qui­ser  que colo­que esta ven­toi­nha em movi­mento para ver no seu iPad, ou no Flash, isso é num instante!”

No meu último post, sobre o Type­Fit, escre­via que já devia ter sido imple­men­tado no CS2, e não como um plug-in externo. Tenho a mais com­pleta cons­ci­ên­cia que sem os cri­a­do­res de scripts e plug-ins para o InDe­sign, a (nossa) tarefa seria mais árdua. Feliz­mente o Type­Fit, como tan­tos outros plug-ins e scripts, é grá­tis, o que, mesmo que tenha a limi­ta­ção de cor­rer em algu­mas ver­sões, não deixa de ser uma mais valia na produção.

Mudando o rumo para um core fun­da­men­tal do InDe­sign, os docu­men­tos lon­gos, o que (não) há de novo? Vejamos.

FOOTNOTES

Há anos que a Adobe tem cons­ci­ên­cia da difi­cul­dade por parte dos uti­li­za­do­res de tra­ba­lhar com foot­no­tes. Além de não per­mi­tir dois tipos de foot­no­tes na mesma caixa de texto (núme­ros e aste­ris­cos, por exem­plo), não é pos­sí­vel ter uma página a 2 colu­nas com foot­no­tes a ocu­par a lar­gura da man­cha. Além disso, só com um script (ben­dito!) é pos­sí­vel criar end­no­tes, ape­sar do con­trá­rio ser possível.

Por outro lado, é incrí­vel que se con­ti­nue a não ser pos­sí­vel criar foot­no­tes em tabelas.

INDEX

Esta fea­ture, con­ti­nua sem um único desen­vol­vi­mento desde a ver­são CS3. Mais uma vez, o InDe­sign é o único pro­grama da Adobe que cria este tipo de fluxo. Quem tra­ba­lha com índi­ces com­ple­xos, sabe bem as limi­ta­ções exis­ten­tes. Há anos que os uti­li­za­do­res de InDe­sign aguar­dam a cri­a­ção de entra­das de um índice atra­vés de um Cha­rac­ter Style ou mesmo por cor.

TEXT VARIABLES

Um dos melho­res auto­ma­tis­mos do InDe­sign con­ti­nua sem poder ser apli­cado a duas linhas. Como as variá­veis (tal como os TOC’s) vão bus­car a for­ma­ta­ção exis­tente no pará­grafo (tabs, idents, for­ced line break, etc.), ainda não foi desta vez que foi imple­men­tado um Over­ride para que a variá­vel eli­mine estas fun­ções neces­sá­rias no texto mas redun­dan­tes na variá­vel. Nem a pos­si­bi­li­dade de apli­car Bul­lets and Num­be­ring nas variá­veis é ainda possível.

TABLE OF CONTENTS

Outra fea­ture parada. Mais uma vez, desde a ver­são CS3 mantém-se está­tica e imu­tá­vel. Devia haver a pos­si­bi­li­dade de criar Table of Ima­ges sem neces­si­dade de apli­car texto numa Layer escon­dida, ou qual­quer outro pro­ce­di­mento mais obscuro.

CONDITIONAL TEXT

Esta fea­ture, bem imple­men­tada no CS4 é uma dor de cabeça para apli­car a texto. Era bom que nesta ver­são tivesse sur­gido a opção de aplicá-la atra­vés de um Para­graph Style.

OUTRAS COISINHAS “MENORES”

A uti­li­za­ção e inte­gra­ção do XML con­ti­nua a não ser nada user-friendly (pelo menos para mim).

O for­mato INX desa­pa­rece para dar lugar ape­nas ao for­mato IDML. Infe­liz­mente só se pode abrir um docu­mento de InDe­sign na ver­são ante­rior e não duas ver­sões para trás. À velo­ci­dade que vão saindo ver­sões CS, esta res­tri­ção con­ti­nua a não ser positiva.

A falta de uma palete His­tory, bri­lhan­te­mente desen­vol­vida nas Blatt­ner Tools.

ALGUNS NOVOS PANELS

Olhando para alguns dos novos Panels do IDCS5 o que temos é uma fea­ture edi­to­rial (Track Chan­ges), um melho­ra­mento dos Layers, e o resto… interactividade.

cs5_newpanels

CONCLUSÃO

Enquanto que na ver­são CS4, os GREP Sty­les e o Pre­flight fize­ram a dife­rença, não con­sigo ver nesta ver­são algo que seja real­mente impres­cin­dí­vel, excepto na interactividade.

Repito mais uma vez, que não estou a mini­mi­zar as novas fea­tu­res inte­rac­ti­vas do InDe­sign, antes pelo con­trá­rio, e é certo que ainda não mexi a fundo no CS5. E, para memó­ria futura, serei o pri­meiro a dar a mão à pal­ma­tó­ria se veri­fi­car que este post afi­nal, estava errado.

Para ter­mi­nar, um vídeo já conhe­cido, mas uma enorme home­na­gem a um aspecto indis­so­ciá­vel da nossa vida: o livro.

Bom CS5!

{ 10 comentários… lê-los a seguir ou adicionar um }

1 Humberto Cardoso 01/05/2010 ás 15:57

Não pode­ria estar mais de acordo con­sigo Eduardo

2 Esper Leon 01/05/2010 ás 16:07

Edu­ardo, meu amigo, você não tem ideia do quanto minha alma está mais leve ao ler esse seu post!
Cole­gas de todos os can­tos do mundo estão fes­te­jando as novas fea­tu­res de inte­ra­ti­vi­dade da IDCS5 e eu, até então, sozi­nho, me sen­tia sufo­cado ques­ti­o­nando exa­ta­mente a falta de imple­men­tos apon­tada por você!
Aqui no Bra­sil, casas edi­to­ri­ais tra­vam bata­lhas inter­nas homé­ri­cas, resis­tindo ao ePub. Esse é um mer­cado que ainda demora muito a se fir­mar por essas ban­das. Enquanto isso, como você bem apon­tou, con­ti­nu­a­mos com as mes­mas velhas difi­cul­da­des em oti­mi­zar nosso pro­cesso de publi­ca­ção de livros impres­sos…
Obri­gado, meu amigo, obri­gado por esse seu post!

3 edraant 01/05/2010 ás 17:51

Esper,
Defi­ni­ti­va­mente, já não está sozi­nho! :)
Abraço e obrigado.

4 Nuno de Carvalho 01/05/2010 ás 18:14

Con­cordo total­mente com o desa­bafo do Edu­ardo…
Parece mesmo que para o «pes­soal do papel» não há mui­tas novi­da­des. Sabem mesmo do que é gos­tava mais e tenho mais sau­da­des? É do lea­ding pro­por­ci­o­nal do Page­Ma­ker. (Vou expli­car: sou espe­ci­a­lista em livros de mate­má­tica e aquele tipo de lea­ding era o ideal para colo­car as equa­ções inline.)
Mas para que o pes­soal se animé um pouco mais vou indi­car dois vide­o­casts que vos vão de cer­teza ani­mar uma boca­di­nho. Estão aqui:

http://carijansen.com/2010/04/13/bridging-that-gap-in-indesign-cs5/
e
http://carijansen.com/2010/04/13/celebrating-adobe-creative-suite-5/

Estão no site da Cari Jan­sen que é a ver­são aus­tra­li­ana do nosso caro Eduardo.

Um abraço e não deses­pe­rem. Bons livros!

5 Dirceu Reis 02/05/2010 ás 02:13

Ano pas­sado qdo par­ti­ci­pei do Inde­sign Con­fe­rence fui mas­sa­crado por esses obje­tos inte­ra­ti­vos, naquele momento vi o Inde­sign assu­mir o papel do Flash. Lendo este post chego a con­clu­são que vou ficar um bom tempo ainda com meu suíte CS4.
Sds,

Dir­ceu Reis
Belém-Pará-Brasil

6 edraant 02/05/2010 ás 22:15

Nuno, feliz­mente o pro­blema com o seu post está resol­vido! Mais uma vez as minhas des­cul­pas.
Quanto à Cari, tem sim­ples­mente dos melho­res blo­gues mun­di­ais sobre InDe­sign, da qual sou fã :)
Abraço e obrigado!

7 Nicolas Franz 03/05/2010 ás 04:57

Edu­ardo, post genial!
A revo­lu­ção dos eRe­a­ders, a che­gada do iPad, o lan­ça­mento do Goo­gle Tablet e outras tec­no­lo­gias simi­la­res estão pro­vo­cando muita dis­cus­são no mundo edi­to­rial. E como acon­tece com quase qual­quer ino­va­ção, os deta­lhes “meno­res” fica­ram para depois, ou seja, os efei­tos secun­dá­rios.
É evi­dente que as pla­ta­for­mas de desen­vol­vi­mento edi­to­rial não estão cen­tra­das no usuário/leitor, mas uni­ca­mente em aten­der à neces­si­dade “ino­va­dora” e atra­par “cus­to­mers” pela curi­o­si­dade gerada. Pelo menos por enquanto.
As fer­ra­men­tas tipo­grá­fi­cas à dis­po­si­ção dos desig­ners edi­to­ri­ais, tipó­gra­fos e edi­to­res, pre­sen­tes nos eRe­a­ders são mini­mas, entre 5 e 10 fon­tes à dis­po­si­ção e uma grande limi­ta­ção: a neces­si­dade de enten­der XML para mode­lar o layout da página. Faz mais de 3 anos se fala da neces­si­dade de um novo “Stan­dard para eBo­oks”, seguindo a linha dos “Stan­dards para a Web”.

Onde isto irá parar? Difi­cil de ima­gi­nar, ma espero que o IDCS5 tenha ido um pouco além nessa revo­lu­ção.
Grande abraço!

8 Felipe Santos 14/05/2010 ás 00:12

Reforço o coro. Infe­liz­mente per­cebo que os recur­sos inte­ra­ti­vos vem rece­bendo maior aten­ção, a cada upgrade da Suite Adobe. Já não são uma ten­dên­cia.. é a nossa rea­li­dade, a Adobe investe nos mer­ca­dos que estão em cres­ci­mento. E o cross media faz parte disso.
Soma-se agora os eBo­oks e toda estru­tura webs­tan­dard (XHTML,CSS, XML) por traz deles.
A inte­gra­ção é ine­vi­tá­vel. Pre­ci­sa­mos ficar aten­tos e cada vez mais valo­ri­zar os prin­ci­pios do design/produção grafica.

Visu­a­lizo um futuro, não muito dis­tante, onde um mate­rial impresso será item de luxo. Ape­nas publi­ca­ções espe­ci­ais serão impres­sas, pois a “massa” con­su­mira infor­ma­ção digi­tal na veia.
Nem penso muito em livros, mas nos peri­o­di­cos de noti­cias. Coi­ta­dos, os jor­nais terão que se re-invertar. Alias, todos nós!

RJ-Brasil

9 edraant 16/05/2010 ás 14:02

Caros,
obri­gado por todos os vos­sos comen­tá­rios. Isto só vem pro­var, tal como o Felipe San­tos escreve, que tere­mos de ver o futuro de modo dife­rente.
Abraços.

10 sconto orologi 31/12/2011 ás 04:01

Nice post. Thanks for sharing.

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